A Criação do Inédito

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A inovação que tanto queremos pode estar sendo criada neste exato momento por pessoas simples, nos corredores de nossa própria organização.

“Já pensou se a gente pudesse…”; “Um dia vão inventar um jeito de…”; “Isso só acontece em filmes de ficção, mas imagine se…”. Essas são frases que podemos ouvir em muitos lugares, inclusive em nossas empresas. São conversas despretensiosas entre pessoas simples. Simples em comparação a outras que, depois de muita experiência e estudo, tornaram-se altamente “sofisticadas”, complexas no modo de pensar, talvez complicadas no modo de agir e também… muito previsíveis. Pessoas mais simples são mais espontâneas, menos estruturadas e têm a imaginação mais solta. E “brincam” o tempo todo, com descontração, sem censura, pensando em novas possibilidades, no que ainda parece impossível. São essas as pessoas que estão semeando os “embriões” do inédito, o que ainda não existe, a inovação para valer, que cria o futuro.

Em pleno século 21, na era das redes sociais, as conversas nos corredores das empresas fervilham de ideias. O nível de energia é alto. Especula-se muito sobre novas possibilidades, sobre coisas que ainda não existem. Algumas dessas conversas são transformadas em propostas. Algumas delas chegam aos líderes. Muitas vezes, são consideradas “interessantes”, mas não são levadas adiante. Parte das pessoas simples que geram esse tipo de proposta se desestimulam e saem à procura de empresas mais ousadas. Ou se tornam empresários e bancam os próprios projetos. Outras ficam na empresa, se “enquadram” e se contentam em gerar inovações incrementais, buscando só melhorar o que já existe. Estão numa organização que se afasta do futuro a cada dia e não sabem. Seus líderes se confinam aos limites do conhecido. Não foram preparados para enxergar o potencial do “diferente”. Não foram preparados para criar o futuro da empresa. Não são pessoas simples.

São as pessoas mais espontâneas que geram a inovação para valer, aquela que cria o futuro de uma empresa.

O futuro de nossas empresas dependerá de uma massa crítica de “pessoas simples” em todos os níveis da organização. Pessoas mais espontâneas, menos complicadas, com coragem para pensar sobre o inédito. Para chegar nesse ponto, é fundamental rever os processos de recrutamento. Onde estão essas pessoas simples no mercado? Como detectar as mais naturais e resilientes? Rever o processo de decisão que define quem entra na empresa.

Como evitar que pessoas complicadas, presas ao passado, decidam quem entra e quem não entra? Rever os processos de treinamento e desenvolvimento.Estamos “enquadrando” as pessoas simples e tornando-as complicadas? Rever os “espaços organizacionais” existentes. Como abrir avenidas mais largas, livres de obstáculos “nonsense”, para as ideias “fora da caixa” das pessoas mais simples de todos os níveis? Quer fórmulas de melhores práticas para todas essas equações? Então você ainda não chegou lá… Ficou estimulado com as reflexões acima e já está com a cabeça fervilhando de ideias diferentes? É de mais pessoas como você que precisamos em nossas organizações. E na sociedade como um todo.

*Oscar Motomura é diretor-geral da Amana-Key, especializada em inovações radicais em gestão, estratégia e liderança.

Publicado na Revista Época Negócios – Número 43

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